03/10/2019 às 20h25min - Atualizada em 03/10/2019 às 20h25min

Vereador pede força-tarefa para combate ao borrachudo em BN

Israel de Souza faz indicação na Câmara de Vereadores pedindo retomada da aplicação do larvicida BTI

Nem as telas nas portas e janelas, nem inseticidas domésticos, nem repelente tem sido capaz de resolver um problema que há muito tempo incomoda os moradores das comunidades do Interior de Braço do Norte. Os moradores têm sofrido muito com infestações de borrachudo. Os insetos tiram o sono, perturbam e machucam a pele dos que já não sabem mais o que fazer para acabar com o problema.

O caso voltou à discussão através do vereador Israel de Souza (MDB). Ele apresentou indicação para que a Secretaria de Agricultura de Braço do Norte retome o programa de combate ao inseto. Para ele, apenas o retorno da aplicação do larvicida biológico BTI nos córregos do município pode minimizar o problema.

“Com a proximidade do verão, a proliferação do inseto está alarmante. As comunidades do interior estão sofrendo muito com a infestação de borrachudo, não é exagero afirmar que isso é um caso de saúde pública”, alerta.

Apesar do borrachudo estar presente em praticamente todo o território brasileiro, os focos são restritos, como explica o biólogo Ulises Sternheim. 
“Esse parasita está presente no Brasil no norte, principalmente no estado de Roraima. Você vai encontrar também na Venezuela, Colômbia com esse parasita. Aqui na nossa região não existe risco de transmissão de doenças pelo borrachudo ao homem, é exclusivamente o incômodo da picada”, diz.
A picada tem uma justificativa. A fêmea se alimenta do sangue de mamíferos. Portanto, quem pica é a borrachuda. Coça porque quando o inseto pica, injeta uma substância que provoca uma reação alérgica na pele.

A fêmea adulta deposita os ovos em folhas e galhos submersos em água corrente dos riachos. Os ovos viram larvas e pupas, e depois de 25 dias o adulto sai de dentro da água. Quando a fêmea é fertilizada, procura um mamífero para picar, porque o desenvolvimento dos ovos que ela carrega depende da proteína do sangue, que pode ser o de um ser humano.

Ao contrário do mosquito da dengue, por exemplo, o borrachudo não gosta de água parada, e quanto mais sujeira tiver melhor. As larvas se alimentam de matéria orgânica por isso, lixo e dejetos de animais são o combustível para o criatório do borrachudo.

Basta dar uma olhada no riacho da propriedade ribeirinhas para encontrar milhões de larvas. Elas ficam presas em folhas e pedras. Cada fêmea pode colocar até 2.500 ovos no seu ciclo de vida, que dura em torno de 30 dias.

Além da aplicação do inseticida, o biólogo explica que o produtor pode tomar outras medidas que ajudam a controlar o borrachudo. 
Recuperar a mata das margens dos riachos diminui a temperatura do ambiente e mantém os predadores naturais do inseto. Não jogar lixo no riacho também ajuda muito no controle dos borrachudos porque, além de pedras e folhas, as larvas gostam de se fixar em sacos plásticos jogados na água.

O BTI

A base do BTI é uma bactéria, que mata a larva do inseto. O inseticida é diluído em água na proporção adequada e espalhado pelas margens de arroios e riachos. Em poucos segundos, forma-se uma espuma. Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o inseticida não faz mal à saúde das pessoas, de peixes e de outros animais.

Entretanto, o BTI não resolve todo o problema. Para controlar a proliferação de borrachudos, é preciso que a população também faça sua parte. Não jogar lixo em margens ajuda no controle dos mosquitos, pois além de pedras e folhas, as larvas gostam de se fixar em materiais jogados na água.
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