03/10/2019 às 20h29min - Atualizada em 03/10/2019 às 20h29min

Juceli Loch: "Só quem é empresário sabe o quanto é difícil manter uma empresa"

Do sonho de ser psicólogo a consolidação de uma das maiores empresas de segurança de SC

Ele é magro, calmo e acima de tudo carismático. Filho de pai marceneiro e  mãe agricultora, teve uma infância muito humilde na comunidade de Barra do Norte. Caçula dos sete filhos do casal Valmor e Isaura Loch, o jovem Juceli Loch, sempre teve habilidade para trabalhar com pessoas, tanto que alimentava um sonho de fazer uma faculdade de psicologia.
 
Ainda jovem, com 15 anos, ingressou no seminário de Orleans, na sequência foi para Araranguá até ser transferido para Porto Alegre para cursar filosofia (curso obrigatório na formação sacerdotal), onde sentiu as dificuldades de viver em cidade grande. “Quanto maior a cidade, mais sozinho ficamos. Se você não tiver dinheiro, pior ainda. Todos os dias para poder estudar e trabalhar (em uma agência de turismo), atravessava um trecho da cidade onde via um lado triste da humanidade que era prostituição, dependentes químicos e violência”, recorda o empresário. Embora havia o lado característico das grandes cidades, com seus pontos altos e os desafios, depois que saiu do seminário, teve a alegria de ter sido acolhido na casa dos tios Celso e Helena, onde morou até retornar para Santa Catarina, tendo uma gratidão sem medida com esses tios e família.
 
Depois da experiência na Capital Gaúcha, ele foi para Joinville, onde não teve melhor sorte. Muito jovem e sem experiência, não conseguiu trabalho. “Lembro que em uma das entrevistas, falei para a pessoa que recrutava que se não tivesse uma oportunidade, nunca teria experiência, mas o argumento não adiantou e não consegui a vaga pretendida”, lembra.
 
Em 1989, retornou para a Barra do Norte, onde começou a trabalhar na parte administrativa da Madeireira De Pieri, a mesma onde seu pai era funcionário. Sua “grande virada profissional”, começou e 1990, após uma conversa com o empresário Marcelo Schlickmann, Juceli foi contratado para trabalhar no setor impressão no turno 3 da Incoplast. O fato de trabalhar na produção, segundo Jucelí, foi um fator importante para poder compreender ainda mais cada trabalhador.
 
Ainda na década de 90, o futuro empreendedor conheceu Arlete Kestering que futuramente seria sua esposa e sua grande companheira, incentivadora, amiga e parceira, onde formariam uma família com a chegada dos filhos Polyane e Lucas.
 
Aproveitando as oportunidades que a empresa fornecia, por volta de 1997, a convite da direção da empresa, começou a cursar técnico de segurança do trabalho, nessa época, atuando na parte de programação da produção na empresa. Em 1999 concluiu o curso e recebeu um convite para trabalhar na Esquadrias Cruzeiro. “Foi ali que realmente comecei a atuar como técnico de segurança e voltar a minha atenção para o cuidado com o ser humano e seu bem maior que é sua segurança e saúde. Lógico que passava a fazer outras atividades complementares, como qualidade de produção, programa 5’s e outras”, revela Loch. Muito do que conseguiu empregar na Esquadrias Cruzeiro e em outras empresas, trabalhos feitos, foi graças aos anos de boas oportunidades no Grupo Incoplast, empresa pela qual Jucelí é sempre muito grato.
 
Foi na Cruzeiro que ele teve contato com médico do Trabalho Helbert Ramirez, o “doutor Ramirez” que se tornaria um grande amigo e passou a indicar empresas para que Juceli prestasse assessoria na área de segurança. Com acordo feito com João Schulz, sócio diretor da empresa, o profissional passou a trabalhar em horário alternativo para que pudesse prestar assessoria em outra empresa.
 
Com passar do tempo a demanda de procura por seu trabalho aumentou e ele pediu desligamento da empresa. Com a saída comprou uma moto que a equipou com uma caixa na garupa e passou a rodar diversas cidades para prestar serviços. “Naquele tempo as estradas não eram asfaltadas como hoje. Saía cedinho de casa, visitava empresas de diversas cidades como Grão Pará, Orleans, Braço do Norte, São Bonifácio e voltava a noite ou com a roupa dura de poeira dos dias secos, ou barro dos dias de chuva”, recorda.
 
O mesmo tem formação no Curso Técnico em Segurança do Trabalho, Graduação em Tecnologia de Segurança do Trabalho e Pós Graduação em Ergonomia, além de diversos cursos na área, buscando com sua Equipe, sempre o aprimoramento continuado.
 
Sua ética profissional e seriedade no trabalho realizado, faziam com seus clientes o indicassem para outras empresas, aumentando a carteira de atendimentos e a necessidade de contratar outros profissionais para auxilia-lo. Em 2009, surgiu a Assessoria em Prevenção de Acidentes do Trabalho (Preven Sseg). Sempre zelando pelos bons serviços e não medindo esforços para agradar seus clientes a empresa passou atender cada vez mais empresas dos mais diversos segmentos criando oportunidades de emprego e renda. Hoje, a Preven Sseg, conta com uma equipe de seis profissionais, sendo três técnicos do trabalho André, Reginaldo e Vagner e um engenheiro de segurança (Fábio), incluindo Juceli e a filha Polyane e diversas outras parcerias que geram trabalho e renda a outros profissionais, através de atividades como treinamentos, monitoramentos, elaboração de documentos, laudos técnicos de segurança e demais ações que evitem acidentes e garantam a integridade da equipe de colaboradores. “Como nem sempre é possível atender todos ao mesmo tempo, formamos parcerias com outras empresas e profissionais em Criciúma, Tubarão, Imbituba e outras cidades. O nosso foco é não deixar o cliente na mão, sem ter sua necessidade atendida”, explica Juceli.
 
Após 10 anos, a empresa consolidou-se no mercado de segurança, Juceli revela o segredo de seu sucesso: “Acreditar, acreditar e acreditar. Sempre fazer o seu melhor, assumir apenas compromissos que realmente possa cumprir e principalmente ter muita fé. Sempre priorizar a qualidade e não a quantidade de empresas atendidas”, comenta o empreendedor que garante ter na família sua base para tudo. “São eles a razão de levantar e acreditar em fazer o melhor para cada pessoa. Durante minha trajetória profissional, já vi muitas pessoas mutiladas e com diversas sequelas, e pensando neles e querendo o melhor para cada ser humano que busco todos os dias a segurança de cada um”, acrescenta.
 
Finalizando, Loch, faz um alerta. “Só quem é empresário sabe o quanto é difícil manter uma empresa. As lutas, desafios diários, tributação, organização, manter uma equipe motivada e as vezes o trabalho de anos, pode se perder por um único acidente de trabalho, resultando em processo e até o fechamento da empresa, por isso a necessidade de colocar na balança, o fator preço ou qualidade. Sem contar as possibilidades de ocorrência de sinistros, incêndios que podem derrubar todo o sonho de um empresário”, adverte.  
 
E completa com a pergunta e afirmação: “Quem é a pessoa mais importante pra você? Deve ser você mesmo, pois quem se gosta se cuida, para poder retornar pra casa e cuidar ainda mais dos que lhes estão esperando, os amores que estão em casa”.
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